sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Homenagens Póstumas

pros mortos sem protesto
flores em memória
aqui é seu minuto de silêncio
sua homenagem póstuma
Antes de mais nada, um minuto de silêncio. Um minuto pra cada uma seria muito? Trata-se de cento e onze vítimas, além das que foram omitidas. Parece demais fazer umas duas horas de silêncio? Pois a mídia brasileira o fez por 24 horas. Parece que nenhum jornal se lembrou, mas ontem se completaram 16 anos. Mas por que recordar um episódio lamentável se ele já se foi há 16 anos atrás?
Primeiro que, se nós esquecemos porque nos parece distante, ou porque no brasileiro a memória é curta pra essas coisas, eu posso garantir que ontem mais de uma centena de famílias choraram aquela desgraça como se tivesse sido ontem mesmo.

Segundo, para os corações menos condolentes, trata-se de um processo que não teve fim, a Justiça se ajoelhou no meio do caminho, fez uma nuvem de fumaça com mil outros crimes e escândalos, e saiu de cena desse caso. Mais de cem policiais foram indiciados e ninguém condenado a nada.
Aliás, (terceiro) teve um que foi, sim. O demônio tem nome e um pronome de tratamento: atende por Coronel Ubiratan. Aliás, o tal Ubiratan, que foi condenado a séculos de cadeia em razão das mortes, não pagou nenhum diazinho sequer. Ubiratan, aliás, deixou de atender pelo nome de ‘coronel’ – em 2002 passou a ser, o deputado Ubiratan, eleito pelo PTB (não se esqueçam nunca do partido), usando o ‘111’ como número de campanha!
Um último aliás nessa história é que o responsável por este massacre penitenciário mundialmente conhecido acabou provando do fruto que ele mesmo semeou. Foi morto a tiro, em sua própria casa, num bairro nobre de São Paulo, num crime que também não foi solucionado.
Dizem que depois do presídio o espaço deu lugar a um parque. Essa medida parecia indicar uma mudança de política: mais CEUs, menos FEBEMs, como li uma vez numa reportagem. Mas ninguém é assim tão bobo. A polícia continua matando como nunca, os presídios reluzem nos olhos de empreiteiros, reproduzindo-se a cem por um, e CEUs, ah... As CEUs dariam uma outra postagem em outra hora.

8 comentários:

Eduardo Chaves disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Eduardo Chaves disse...

É ano de eleição e não teve Copa do Mundo. E o Brasil (o futebol, né?) ainda foi mal e perdeu a medalha de ouro... Quanta tristeza! Não daria pra lembrar disso aí mesmo não...

Também há quem defenda a "volta" do Carandirú - afinal, onde vamos colocar tantos bandidos? No parque é que eles não podem ficar, assaltando e matando...

Falando nisso, ee em uma coisa o nosso governador foi feliz, foi exatamente ao falar que "esses ciclos [de violências] todos acabam em filme". Mas no filme da vida, esqueceu de mencionar que as cenas mais violentas têm sua co-direção.

Dá pra lembrar?! Dá nada! "Carandiru" nem concorreu ao Oscar e já lançaram vários filmes desde então... Esse povo tem memória curta ou memória seletiva?

Nath Eliza disse...

Agora a sensação é noticiar ao vivo policial "metendo bala em bandido" com uma aparente aclamação dos espectadores ...

cuca disse...

Na verdade acho que foi lembrado, algum jornalista desesperado por pauta ou sensível ao caso chegou e falou para o seu editor e tomou um não na cara. Motivos mil, assim como aquele que comentei contigo, de não ser uma data "redonda". É, ué. 10 anos, 15 anos, 20 anos são "significativos", mas acho que 16 não. A justificativa disso? Vai saber...
Fora o próprio caso... que tipo de espaço seria dado? Mais uma matéria reforçando esteótipos, com cenas escolhidas e recortadas a dedo? Ou uma matéria de denúncia (ou quem sabe denuncista), que aproveitaria a data "simbólica" para fazer uma denúncia que nas próximas edições não teria continuidade, dando o espaço do texto para o esquecimento e o espaço da propaganda para o cifrão dos empreiteros?
Ainda bem que existem os blogs, espaços que podem ser usados para fazer com que as pessoas lembrem dessas coisas que a grande mídia faz questão que a gente esqueça. O poder tá na mão da gente, mas às vezes esquecemos disso ou pior: utilizamos como espaço de auto-propaganda e massagem do ego.
Obrigada pela oportunidade, Leo :*

ortegal disse...

Pois é.. O melhor (pra não dizer pior) é que saiu notícia sobre tudo. Mas notícias que poderiam incorrer em um momento de reflexão para a população, esses parece que não são escolhidos para a pauta. O poder da mídia é evidente, todos sabemos. Um exemplo é esse da crianças vítimas de violência sexual (pois deve ficar claro e explicado aqui que relação sexual com criança é uma relação de Violência, ainda que a criança ganhe lá suas mixarias). A mídia mostrou, e num piscar de olhos o Estado estava lá, mostrando seu sujo serviço (sujo porque não está de fato comprometido com as vítimas, ao contrário, fôra conivente, estava preocupado com sua imagem).
Mesmo sabendo desse poder, a mídia age por outros critérios, por outros valore$. Carandiru e Ubiratan tornou-se um caso complexo, complexo demais pra vender jornal.

cuca disse...

Aproveite este resto de ano para escrever "fôra" hehehehehe

ortegal disse...

Pois é, Nath,

O policial assopra o cano do seu revólver, sensação de heroísmo, como nos filmes. E a aclamação não é nem aparente - é tão evidente quanto a indignação nas vezes em que o bandido não morreu.

ortegal disse...

é.. é triste ver a lógica da mídia. Na verdade, essa lógica que põe as coisas de ponta-cabeça estão presentes em vários lugares: a publicidade só publiciza aquilo que não é de fato essencial - e justamente por isso deve ser empurrado à força, às custas de diversas outras necessidades realmente essenciais (vide o post do C4 Pallas). As engenharias nunca estiveram tão avançadas - e nunca o mundo tão desigual.
Por não ser um Fato que tenha o figurino vendável, fica de fora. O caso está em aberto, é do interesse direto centenas de famílias, indireto de toda a população, mas fica de fora.
Pra você ver: greve dos bancos? Não é importante.. O que importa é que todos os jornais violem a prescrição do repouso, fazendo com que as chagas de Eloá e sua amiga recaiam sobre todos os lares onde haja uma tv.

Eu é que agradeço. E eu pensei no 'fôra' antes de escreve-lo, e me senti um privilegiado.. hahaha
Mas eu não agÜento essa reforma!

 
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