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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O Rio de Janeiro tem duas guerras

Salve!

Gostaria de comparilhar com vocês um texto que escrevi para o jornal O Miraculoso sobre a tal da "guerra" do Rio de Janeiro.

É impressionante como faz tão pouco tempo e já está com cara de passado antigo. Ou será que só eu perdi as notícias sobre o assunto? Até quase ontem e elas entupiam meus ouvidos e olhos de tanto se repetirem nos noticiários. Eu falo sobre isso no texto, e nem precisei ser um Pai Diná para adivinhar que as coisas se sucederiam assim.

Espero que gostem!
Abraços

* * * * *

O Rio de Janeiro tem duas guerras


Desde que teve início, a operação realizada nos morros do Rio de Janeiro é uma das únicas coisas que se ouve falar nos jornais. Em pouco tempo o assunto já não valerá mais nada e será descartado pela mídia. Esse comportamento vampiresco dos grandes meios de comunicação é deveras prejudicial ao Brasil, e o caso do Rio é um grande exemplo disso.

Os números de mortos e feridos se amontoam nos jornais – não há novidades, as matérias são quase as mesmas. O dia a dia dos policiais da operação é o mais novo reality show da TV brasileira, e no primeiro dia da ocupação, o Jornal Nacional poderia ter mudado de nome para Big Brother Favela. “A guerra no Rio de Janeiro” é uma das mais repetidas frases de efeito. Mas, afinal, de que guerra que estamos falando?

Desde quando a escravidão foi se tornando insustentável e o capitalismo foi ganhando força, os pobres e escravos alforriados foram ocupando as margens da cidade e a periferia. O morro também é periferia, mas uma periferia vertical é que são periferias verticais. Falta de escola, emprego, justiça, saúde, e até comida existiram por ali desde sempre. Falta de Estado, de poder público. E como sabemos, se o Estado não assume o poder, alguém vai assumir. No caso dos morros, foi o tráfico quem assumiu uma boa parte. E não digo traficantes, mas o tráfico mesmo. O traficante, por mais poderoso que pareça, é só mais um fantoche, um soldado que mata e que morre em nome de uma rede invisível maior, que também lava dinheiro, compra políticos, faz tráfico de órgãos, de seres humanos, realiza travessias internacionais com cargas enormes de drogas e armas, e tem sucursais em diversos países. Mas a maior parte do poder na favela foi assumida pela fome, pela ignorância, pelo desemprego e pela doença, que fazem, de longe, mais vítimas que o tráfico de drogas.

Combater traficantes é isso: aproveitar um momento para entrar no morro, na base de tanques e balas, numa apoteose da violência legitimada. Combater o tráfico é uma outra coisa: num mundo capitalista, o dependente químico é o cliente, a droga é a mercadoria, e o tráfico é o mercado. Os traficantes são apenas mercadores da droga, e a lei da oferta e procura continua imperando. Dessa forma, enquanto não há saúde e políticas públicas para tratar dependência química, a droga seguirá como uma mercadoria de alta procura e extremamente rentável. A reorganização do tráfico é uma forte pressão feita por diversos segmentos da mesma sociedade que hoje o execra.

Infelizmente o combate mais importante para a favela até hoje não foi travado pelo Estado. Por mais violenta que seja, a realidade do tráfico de drogas não é capaz de ser mais violenta do que uma criança morrendo de fome, ou o analfabetismo político. Essa guerra está distante de ser enfrentada, e como já dizia o controverso Capitão Nascimento “O único braço do Estado que entra na favela é a polícia”. Depois da ocupação, alguns agentes de saúde até subiram o morro, mas isso não representa nem o mínimo. Essa munição não faz nem cócega no batalhão da anti-cidadania que assola as favelas. Além do mais, a 'guerra' que se vê na TV não foi decretada em combate ao tráfico de drogas, e nem em nome do povo, para que a dignidade ocupe o espaço deixado pela saída dos traficantes. Sem nenhuma ingenuidade, essa foi uma ocupação 'pra inglês ver', literalmente, pois as olimpíadas e copa do mundo estão quase chegando, e mais próxima ainda está a consagrada virada de ano no Rio, quando a cidade enche de turistas, turistas que não pensarão duas vezes em mudar de destino caso se sintam inseguros. Além da bandeira do Brasil e do estado do Rio, hasteadas no cume do morro, deveria ter sido hasteada em um mastro mais alto a bandeira verde com um cifrão bem robusto no meio. Dinheiro, capitalismo. Os grandes comandantes dessa guerra.

Quando o Big Brother Favela perder a graça, a mídia vai jogar fora esse assunto. Justo no momento de mais importância: o de ver o que ocupará o lugar dos traficantes no morro. E agora, sem o sangue jorrando ladeira abaixo, sem a visibilidade do tráfico que invadia até o lugar das elites com suas drogas, quadrilhas organizadas e bem equipadas, que visibilidade vai ter aquela população da favela, que agora não tem voz para chorar sua dor nem com gritos de bombas e tiros? Pelo visto, a verdadeira guerra não será televisionada.

sábado, 17 de julho de 2010

Aonde se pode chegar com os estudos no Brasil

Estou simplesmente embasbacado com essa notícia que acabei de ler.
Será que nem assim se percebe que, com pobreza, com miséria, as oportunidades NÃO são as mesmas?? Será que ainda assim a direita cretina continuará a vomitar nas nossas cabeças o famigerado jargão de que "é só estudar" ou de que "as oportunidades estão aí pra todos, é só querer" !?

Garoto morto enquanto assistia aula é enterrado no Rio de Janeiro

A tragédia ocorreu quando Uma operação policial nas favelas da Quitanda e da Pedreira, em Costa Barros, no Rio, terminou em tiroteio. Wesley Rodrigues estava dentro de uma sala de aula no Ciep Rubens Gomes e foi atingido no peito por um tiro.


Pensei em dizer algo mais, mas encerro por aqui. O peso dessa realidade já diz o suficiente.




O que pode vir a ser o futuro de um estudante pobre no Brasil


 
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