sexta-feira, 20 de junho de 2008

O segundo aniversário: A data de uma Categoria

...E que categoria!

Vamo lá. Categoricamente caracterizada pelo pé no barro e mão na massa, com o ônus e o bônus disso aí. O barro é real e metafórico também - pode ter os pés em um ou em ambos. A 'massa' com que trabalha pode ser também uma verdadeira massa de desfiliados, de desassistidos de tudo. E não é fácil, não. Se é difícil lidar com os problemas da própria vida, imagine-se lidando diariamente com os problemas de uma multidão, dos integrantes de um dos maiores movimentos fundados no capitalismo: o MST - Movimento dos Sem Tudo.

Em suas práticas cotidianas, pode tanto reproduzir a situação atual, quanto transformá-la, pode inclusive fazer as duas coisas ao mesmo tempo! Uma medalha a quem lida com uma tarefa tão complicada, que pode tanto atingir seus objetivos quanto o contrário. Ainda em tempo de formação profissional, me deparei um dia com o seguinte pensamento: "Caramba.. eu to entrando num esquema quem tem 99% de chance de trabalhar só com pedreira". E o pior é que tem gente (como eu) que gosta disso! Olhando nos olhos do olho do furacão. Dizia o Amarante 'Eu gosto é do estrago'. Contraditória é a realidade e a vida a cada instante.

Não me pergunte a data de nascimento, pois é como esse montão de vidas, de vasos ruins de se quebrar, que contra a existência, com insistência, tiveram que nascer duas vezes pra nascer (e pensar que o nosso compadre Lula é um desses). Uma coisa é fato: foi no dia 15 de Maio que se estabeleceu a data comemorativa, a data de aniversário. E a festa desse ano tem por lema: Serviço Social na Luta Sempre.

Com mais de um mês de atraso, meus parabéns pra mim, e pra todo esse povo sofredor que são os e as assistentes sociais desse país. Pocos pero Locos! Ideal no horizonte, pé no chão, passo pra frente, entre mortos e feridos, me orgulho de fazer parte da categoria profissional que tem em seu Código de Ética Profissional, entre seus Princípios éticos Fundamentais, a Opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma nova ordem societária, sem dominação ou exploração de classe, etinia e gênero; bem como Defesa do aprofundamento da democracia, entendida como socialização da participação política e da riqueza socialmente produzida. [E isso deixando outros de fora.]

Viva ao Serviço Social, Viva aos Assistentes Sociais! Muita Luta pra nós, pra celebrar o nosso aniversário!


* * * * *
[Um a mais, que pensei esses dias. De repente dá uma idéia a mais da profissão. É como um cachorro pequeno, mas que late alto e ataca e que nunca dá descanso!]

- Na área da Saúde, a briga é com os médicos da equipe (isso quando o que existe pode ser chamado de equipe), que ficam lá no trono, fazendo quase nada além de receitar remédios e exames clínicos. No aspecto macro, o Serviço Social chegou principalmente com a Reforma Sanitária, pra viabilizar o reconhecimento de que saúde não é só doença, não se restringe ao corpo da pessoa, não é só remédio, e muito menos é só medicina. É, na verdade, socialmente determinada, por determinantes mil na vida e no meio ambiente em que vive uma pessoa.

- No Judiciário a briga foi, sobretudo, com os juízes e uma parte dos profissionais de Direito. Não foi fácil mostrar que não é só decretar setença a alguém e dane-se o resto. Mostrar que um juiz não vai promover justiça em boa parte dos casos, pois ele não tem condições de conhecer aquela realidade e, ainda que conheça em alguns casos, não vai ser capaz de dizer o que é justo ou injusto. É uma queda de braço dura, mas ao longo do tempo passou-se a admitir mais que, se uma mãe solteira de 3filhos, chefe de família e desempregada e que foi flagrada furtando som de carro, se ela alegar que era pra pôr comida no prato dos filhos, fica difícil pro juizão dizer o que é justo e injusto - tanto pra ela, quanto pros filhos, no caso de ela ser presa... É hehehe.. é nessas horas que apelam contrariadamente pra nóis!..

E por aí vai em outras áreas.. A formulação e gestão de políticas públicas é outro exemplo, mas fica outra ocasião.








8 comentários:

Jonas Freitas disse...

ae! Realmente uma categoria especial por contar com relações quase sobrenaturais de trabalho... Se qualquer um vem numa roda e diz: "sou dentista" é manha identificar o q esse camarada faz, mas se a resposta vem "assistente social" aí vc tem duas opções como resposta: um profundo "ahhhh" q quer dizer (geralmente) q a pessoa ñ faz a menor idéia do q vc faz, ou então um: "sério? e vc gosta" huahauhaua
O bagulho é doido, a chapa é quente, o ritmo é frenético e o pior é q é verdadeiramanete dificil explicar o q a gente faz pra um povo q ñ entende nem o q é necessidade humana e a diferença entre isso e os direitos sociais adquiridos.
Mas vamo q vamo q é nois até o fim do mundo! (pelo menos o desse mundo capitalista escroto!)
é noixxx!

cuca disse...

muito bom saber o valor que a profissão da gente tem, né? (mesmo que eu ainda não tenha uma profissão de fato, sei da importância disso). Hoje mesmo fazendo o release para o TCU eu tava pensando "nossa, que safadeza, nego cobrando por uma parada que é integralmente custeada pela União; as pessoas que precisam dessa parada não são selecionadas e quem não precisa, tem duas cisternas instaladas em casa..." E se não é o jornalista pra fofocar essa parada e trazer ao público esses fatos, ninguém fica sabendo e a parada continua a mesma coisa - ou pior.
E sem dúvida os assistentes sociais são pessoas muito importantes, principalmente no que se refere à limpeza dos pés de alguém heheheh brincadeira!
Ainda bem que rolam esses serviços iguais aos que vc prestava lá no Tribunal, dando a medida de cada peso, saindo do plano cartesiano x,y -> pecou, pagou.
Parabéns para vocês :O)

ortegal disse...

Pior, né não Jonas!? heheh. E o pior é que realmente não é fácil explicar o que fazemos assim numa linha: "Ah, eu cuido dos dentes das pessoas. Faço tratamentos de limpeza, conserto bocas". No nosso caso é sempre muito complexo de situar, de botar na cabeça de uma pessoa que nunca teve contato com o Serviço Social e você tentar explicar o seu papel de assistente social na Secretaria de Urbanização e Habitação, sei lá.. Envolve mil pressupostos que vc vai se embolar todo pra trazer ali na hora.. E o pior é que eu acho que nisso está alguma das coisas que me faz gostar dessa nossa profissão!

Po mlq.. É nóis até Depois desse mundo escroto também, po!! Principalmente depois disso, aliás!

ortegal disse...

Valeu, Cuca!

Pois é.. As profissões são habilidades e podem prestar serviços diversos a diversos objetivos dentro dessa enorme comunidade humana. Uma jornalista pode agir da forma como você citou, ou pode fazer o contrário! Com os assistentes sociais, a mesma coisa. O pior é que quem geralmente tem mais poder é quem busca trabalhos informacionais, esse chamado setor de serviços, onde se enquadram tanto o assistente social quanto o jornalista. Eles sabem que a máxima é verdadeira: Conhecimento é Poder. Informação é Poder.

O que anima são exemplos como os que você deu aí. Espaços conquistados e utilizados em favor do povo!

Beijos

Jonas Freitas disse...

pois é, talvez seria mais facil mesmo cuidar da higienização de pés. As vezes enche o saco isso de ter q explicar... Mas aí, tamo na frente em um aspecto. Da faculdade pra frente somos uma categoria, tá ligado, sem se formar mesmo, lembro de uma aula q o prof. falou: "se vc's chegaram até aqui, então já são A.S"
Temos um código de ética e um projeto político que deveria ser estudado por todos outros cursos. E é cheio de pqnos detalhes, de opostos que se unem e se confrontam.
Mas o q eu mais gosto é de pensar, é q nossa profissão acaba com o fim da exploração capital x trabalho. O q faz de nós por essencia, revolucionários, porém seguidos de perto por cocotas q são herdeiras da LBA!

ortegal disse...

Era isso que eu falava pros estagiários que eu supervisionava lá no TJ!
Mas aí, Jonas! Ce tem que formar logo pra engrossar o caldo na profissão propriamente dita! Anda logo mermão!
Ce tem que somar lá nas políticas habitacionais e mostrar que arquitetura é mais do que estética ou exigências do capital.. Tem que ser usada para viabilizar acessos e não o contrário, mostrar que rampa-anti mendigo (um verdeiro 'rampage' heheh) não vai dar conta dos problemas que existem, etc.
Discplina hein mlq!

Eduardo Chaves disse...

É muito importante sinificar o que é de fato Serviço social, ainda mais em tempos de EaD's... Cada vez mais tenta-se tecnificar o curso, rebaixando (hehehe) seu valor frente a outras profissões.

Outro dia vi um folder que dizia "Graduação EaD em Gestão Social (antigo Serviço Social) é na EaDqualquercoisa!" Fiquei de cara! Não sei se é por causa do Conselho (que atua pouco pela categoria) ou se o MEC colocou algum empecilho, mas foi o extremo da falta de reconhecimento da profissão. Naquela UniReal, que tinha Serviço social em 3 anos, mas que equivalia a apenas 20 creditos que fazemos na UnB...

Quanto ao Jones, bota pressão nesse mlk aí mesmo! hehehe

Faloooo/

cuca disse...

to clicando direto no negócio :)
quero participação nos $$

 
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